Sobre o tema

1. “O adolescente que tenta suicídio: estudo epidemiológico em uma unidade de emergência”; Avanci, Rita de Cássia; Dissertação de Mestrado, inserida na linha de pesquisa de Enfermagem psiquiátrica: o doente, a doença e as prática terapêuticas; Universidade de São Paulo, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto

«Um adolescente de 16 anos foi atendido na Clínica Cirúrgica, após tentativa de suícidio por ingestão de soda cáustica (…). Observei que não tinha consciência da gravidade de seu acto e o praticou para chamar a atenção de seus familiares, pois apresentava carência afectiva. Este adolescente era dotado de sensibilidade artística, durante o seu período de internação produziu pinturas em grafite, com beleza e perfeição. Após tratamento recebeu alta e foi para casa

Outro jovem de 23 anos, também após tentativa de suicídio por ingestão de soda cáustica, esteve internado na Clínica Cirúrgica. Questionava-me todos os dias se ainda poderia perder a vida, pois não queria morrer. Sua família visitava-o todos os dias, estabelecendo um relacionamento harmonioso. Entretanto quando estava recuperando-se sofreu uma reacção tardia e foi a óbito»

2. OMS

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) referem que cerca de 815.000 pessoas se mataram no ano de 2000 em todo o mundo, uma taxa de 14,5 para cada 100.000 habitantes, significando um suicídio a cada 40 segundos. Nos últimos 40 anos as taxas de suicídio aumentaram em 60% no mundo todo. Os dados da OMS referem ainda que o suicídio é a 3ª causa de morte entre as idades de 15-44 anos, em ambos os sexos, sem incluir as tentativas de suicídio, que são 20 vezes mais frequentes que o suicídio. A OMS (1996) define, pois, o suicídio como um problema de saúde pública.

3. Sociedade Portuguesa de Suicidiologia

Porque alguém tenta o suicídio?


Normalmente o suicídio é equacionado como forma de acabar com uma dor emocional insuportável causada por variadíssimos problemas. É frequentemente considerado como um grito de pedido de ajuda. Alguém que tenta o suicídio está tão aflito que é incapaz de ver que tem outras opções. Os suicidas sentem-se com frequência terrivelmente isolados; na maioria dos casos, escolheriam outra forma de solucionar os seus problemas se não se encontrasse numa tal angústia que os incapacita de avaliar as suas opções objectivamente. A sua intenção é parar a sua dor e não pôr termo à sua vida. A este facto dá-se o nome de ambivalência.

Podemos ajudar, prevenindo uma tragédia, se tentarmos entender como essa pessoa se sente e ajudá-la na procura de outras opções e soluções. Uma regra importante: realçar, sempre, o facto de o suicídio constituir uma solução permanente para um problema temporário, lembrando a pessoa de que existe ajuda e que os seus problemas e a sua dor irá melhorar.

4. Daniel Sampaio

Análise Psicológica (2001), 4 (XIX): 509-521; Amâncio, L., Oliveira, A., Sampaio, D.; Arriscar morrer para sobreviver. Olhar sobre o suicídio adolescente”

– O seu estudo [do suicídio] envolve e implica múltiplos aspectos – a nível individual, familiar, social ou ideológico – exige o esforço e a cooperação entre especialistas de diversas disciplinas e ramos científicos, de modo a que seja alcançada uma visão ampla, e não meramente parcelar, da realidade.

- [definição] Destruição por um acto deliberadamente realizado para conseguir este fim

- O parasuicídio ou comportamento parasuicida corresponde, de acordo com a O.M.S., a um acto ou comportamento não fatal, eventualmente não habitual num dado indivíduo e com o qual ele não tem clara intenção de morrer, mas no qual se arrisca a danos em si mesmo (mais ou menos graves) caso não exista a intervenção de outrém; o parasuicídio pode também ocorrer na sequência da ingestão excessiva de determinadas substâncias com o intuito de provocar alterações desejadas.

O conceito de parasuicídio engloba igualmente os comportamentos de auto-mutilação ou de auto-agressão.

O(a) adolescente que se corta e sangra, espera afastar os medos, aliviar a tensão e sentir-se algo reconfortado ou gratificado; procura a dor pelo seu efeito suavizante no estado psicológico doloroso ou conturbado que vivência; até que, os medos voltam, sente vergonha e receia não ser bem aceite socialmente, pelo que tenta esconder as feridas

- O adolescente, querendo autonomizar-se – face aos pais ou às pessoas que lhe são próximas – e delinear a sua personalidade, precisa de ser aceite, valorizado e, até, admirado pelos colegas, amigos e familiares

- Luta-se por uma identidade, arrisca-se, às vezes com enorme perigo

- O suicídio é uma estratégia, às vezes uma táctica de sobrevivência quando o gesto falha, tudo se modifica em redor após a tentativa. E quando a mão, certeira, não se engana no número de comprimidos ou no tiro definitivo, a angústia intolerável cessa naquele momento e, quem sabe, uma paz duradoura preenche quem parte. Ou, pelo contrário e talvez mais provável, fica-se na dúvida em viver ou morrer, a cabeça hesita até ao último momento, quer-se partir e continuar cá, às vezes deseja-se morrer e renascer diferente

- Os jovens pensam bastante na morte e no suicídio mas, dado o interdito que impera e os oprime, nem sempre encontram a disponibilidade e o meio adequado para falar. Em qualquer caso, o adolescente com ideação suicida tenta sempre comunicar-nos a sua intenção e pedir ajuda.

Os jovens pensam realmente no sentido da vida e, por conseguinte, na morte e no suicídio. E aquilo que vivenciam tende a ser intensamente sentido.

- «Esperava partir a dormir (…) para longe da minha angústia e dos meus problemas. Tomei uma série de comprimidos (…) Quando comecei a ficar tonta e enjoada, é que vi que podia mesmo bater as botas. Foi tal o choque, que me pus a vomitar com quanta força tinha.» Lídia, 15 anos (Pommereau, 1997, p. 198)

3 respostas a Sobre o tema

  1. abahelt diz:

    “Até agora não sei o que fazer, parece mesmo ironia do destino onde chega um limite entre morrer e viver, mas viver pra quê agora? A 10 anos atrás conheci uma pessoa linda, maravilhosa, mas como morava no Brasil e ele aqui em Portugal imaginei, nossa muito longe, impossível dar certo, e acabei por ficar com um outro cara por mais ou menos 6 anos ate que nos separamos, minha vida estava ruim, muito ruim mesmo, mal falava com minha família por minha condição gay, e tive uma vida muito sofrida com a família, um emprego normal, ate que resolvi sair do emprego e tentar algo melhor, pois é não deu certo, acabei ficando desempregado, resolvi vender tudo e vir para Europa, meu ultimo tostão, mas o pior não me deixaram entrar em Espanha, me mandaram de volta para casa, e acho que foi nesta época , fiquei com raiva do mundo, pela minha vida, meus infortúnios, cai na bebedeira, sexo e saunas, estava na pior dos piores, se tivesse coragem me matava, mas não tinha coragem, ate que por encanto, ele reapareceu em minha vida assim do nada, parece que me tirando do poço, me erguendo a única mão que tinha pela frente e resolvi agarrar esta oportunidade como se fosse um único fio de esperança para mim, ele me mandou dinheiro para sobreviver no Brasil e por fim o dinheiro para eu poder vir ao encontro dele isso 10 anos depois, não acreditava, estava feliz, a muito tempo que não ficava, alguém estava acreditando em mim, e quando cheguei aqui em Portugal, fui recebido como um ser humano, nossa quanto amor, logo de cara eu também me apaixonei por ele, resolvemos ficar juntos, juro pensei em fazer o exame de HIV, mas acabamos por deixar para trás, porque? não sei porque, um dia bêbados por termos saídos uma noite, consumimos nosso amor, sem pensar em nada, esse foi o erro, falei com ele sobre meus medos e angustias e muito sobre minha vida, como sempre o amor dele sempre foi mais forte que tudo e ele nem queria saber, que erro, minha nossa, só sei que vivemos felizes por mais de um ano e meio, ate que não sei porque, mas resolvi que tinha que fazer o teste, seria meu papel de casamento para com ele, para que pudéssemos ficar juntos eternamente, que era o que sempre pensava ao lado dele, então fomos, mas algo deu errado, não entendi mas a psicóloga do CAD me chamou primeiro para dar o resultado do exame sendo que ele havia feito o exame primeiro, senti uma faca atravessando meu peito, meu teste deu positivo, na hora perguntei sobre o dele, tinha dado negativo, pelo menos um alívio, por enquanto, ele tem que esperar por 3 meses de janela, fomos encaminhados para outro sector do CAD para refazer os exames de HIV e todos os outros exames possíveis, bem daí para frente já se passaram quase um mês ainda aguardo pelo resultado de meu exame rastejando e sofrendo mais e mais a cada dia, e ironia do destino, ainda não peguei o resultado, sinto que já tenho o HIV, a única coisa que peço a Deus agora é que ele não tenha pego, muito impossível, mas torço e rezo somente por isso, A Deus sei que não peço mais nada para mim, já desisti de algo para mim. Nossa vida acabou, toda a felicidade se foi, quase não nos falamos, ele ta sem emprego e eu também, não sei o que faço, somente a morte vem a minha cabeça a todo momento, fico na internet o dia todo, sempre vendo filmes sobre AIDS. Sofri muito quando minha família descobriu que era gay, meus pais me bateram muito, ate hoje me lembro de minha mãe pisando em minha cabeça querendo que eu morresse, pois preferia ter um filho assassino que um filho gay, eram as palavras dela, meu pai tentou me estrupar com um cabo de vassoura para eu ver o que era ser homem, fiquei trancado em casa e não saia na rua para nada, até meus 19 anos quando acabei brigando com meu pai por causa das surras que levava e revidei, consegui, é horrível falar mas consegui revidar uma surra dele e sair de casa, sempre morando com amigos, sempre fui uma pessoa medrosa, e com medo de tudo e todos, sempre apanhei nas brigas e sempre fui fraco e contras brigas, mas era minha natureza, ou como fui criado, como um cão com medo de tudo e todos, só sei que passei por isso tudo em minha vida e muito mais que não conto aqui, mas contarei para quem quiser me ouvir, só isso que peço, poder falar um pouco, meu marido não consegue me ouvir mais, ele também ta triste sofrendo muito, e ele não aguenta mais o fato de eu querer me matar, e não querer mais sofrer nesta vida, to acabado, não vou mais mentir sobre minha vida, sempre menti que era gay, fingi namoradas, engrossei a voz, para esconder de minha família que não era gay, sofri calado muitos anos, agora terei que forçadamente viver outra mentira, esconder que tenho HIV, imagina muitos amigos meus nem irão querer me ver se souberem, outra vez na mentira, sempre obrigado a mentir, desculpe o desabafo, mas to começando a ter coragem, e quem sabe me matar, se alguém puder, tenho medo de falar quem sou, tenho medo de ir a rua, tenho medo de tudo e todos, apenas to com medo, sou um rapaz de 37 anos mas coração e acredito eu idade mental de um garoto de 20, sou sim ingénuo e bobo me iludo fácil, mas não to aguentando mais, ta doendo demais, fiz um blog chama-se http://ostropecosdeumavida.blogspot.com , se eu acabar com minha vida hoje é alídio a tudo isso, se não poderei sofrer mais, sofri muito por ser GAY e agora na hora em que tava quase tudo resolvido acontece isso pra que???“

  2. ,,, diz:

    alguem sabe se essa peça esta em cartaz em outro lugar ??

  3. João diz:

    A peça irá estar em cena dia 28 de Outubro em Viana do Castelo e durante o mês de Novembro em Gondomar. Mais novidades em http://www.inskene.org

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